Há uns anos uma professora minha dizia-nos que “não sabemos o que o autor do texto quis dizer com a frase que escreveu. Apenas podemos dizer o que achamos que ele queria dizer”. Como a escrita é uma arte, tal como a pintura, escultura, etc, ou seja fabrico manual e espontâneo (vindo de dentro, com um sentimento), podemos dizer que aquele quadro ou escultura, enfim peça única, é aquilo que achamos que ela representa e com o valor que nos transmite.
Só o autor sabe o que queria exteriorizar quando lançou um balde de tinta amarela sobre a tela. Posso inferir que estava chateado com o tempo cinzento do Outono, que gostava de uma rapariga loura ou apenas tentara representar um sol. Não sei nem me interessa. Apenas importa que aquela tela me faz lembrar um ovo estrelado e que tenho fome.
É para isso que serve a arte. É uma ferramenta não só de passagem de emoções e sentimentos, em que passa o que o autor sentiu, mas também é uma misturadora, em que absorve o que o autor sentiu mas nos faz sentir algo diferente.
Haverá um mecanismo para essa dissintonia (se é que esta palavra existe)? Sim, é a nossa vivência, é o nosso momento e a forma como olhamos para a peça. Só quem está em sintonia com o autor irá compreendê-lo.
Sintonizem aqui!
Texto por Dário Cardina Codinha:
